"Lembro que sempre sonhei viver de amor e palavra." Herbert Vianna

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Que setembro seja melhor e supere todas as angústias, medos, inseguranças e azar de um agosto fodido."
Caio Fernando Abreu



Sem esta de virar a página. O negócio e rasgá-la! E não voltar a ler. Ou melhor, trocar de livro!
Li uma história triste e cheia de saudade em Agosto. Não quero a mesma história em Setembro. Vai ficar chato. Enjoativo. 
Não quero tristeza em Setembro. Setembro é primavera!
Quero flores! Amores! Quero esquecer as dores!

Nina

E quando Setembro vier...

De tão azul, o céu parecerá pintado. E nós embarcaremos logo rumo à ilhas Cíclades.
Houvesse cortinas no quarto, elas tremulariam com a brisa entrando pelas janelas abertas, de manhã bem cedo. Acordei sem a menor dificuldade, espiei a rua em silêncio, muito limpa, as azaléias vermelhas e brancas todas floridas. Parecia que alguém tinha recém pintado o céu, de tão azul. Respirei fundo. O ar puro da cidade lavava meus pulmões por dentro. Setembro estava chegando enfim.
Na sala, encontrei a mesa posta para o café — leite e pão frescos, mamão, suco de laranja, o jornal ao lado. Comi bem devagarinho, lendo as notícias do dia. Tudo estava em paz, no Nordeste, no Oriente Médio, nas Américas Central, do Norte e do Sul. Na página policial, um debate sobre a espantosa diminuição da criminalidade. Comi, li, fumei tão devagarinho que mal percebi que estava atrasado para o trabalho. Achei prudente ligar, avisando que iria demorar um pouco.
A linha não estava ocupada. Quando o chefe atendeu, comecei a contar uma história meio longa demais, confusa demais. Só quando ele repetiu calma, calma, pela terceira vez, foi que parei de falar. Então ele disse que tinha acabado de sair de uma reunião com os patrões: tinham decidido que meu trabalho era tão bom, mas tão bom que, a partir daquele dia, eu nem precisava mais ir lá. Bastava passar todo fim de mês, para receber o salário que havia sido triplicado.
Desliguei um pouco tonto. Então, podia voltar a meu livro? Discreta e silenciosa como sempre, a empregada tinha tirado a mesa. No centro dela, agora, sobre uma toalha de renda branca, havia rosas cor de chá, aquelas que Oxum mais gosta. No escritório, abri as gavetas e apanhei a pilha de originais de três anos, manchados de café, de vinho, de tinta e umas gotas escuras que pareciam sangue. Reli rapidamente. E a chave que faltava, há tanto tempo, finalmente pintou. Coloquei papel na máquina, comecei a escrever iluminado, possuído a um só tempo por Kafka, Fitzgerald, Clarice e Fante. Não, Pedro não tinha ido embora, nem Dulce partido, nem Eliana enlouquecido. As terras de Calmaritá realmente existiam: para chegar lá, bastava tomar a estrada e seguir em frente.
Escrevi horas. Sem sentir, cheio de prazer. Quando pensava em parar, o telefone tocou. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?), uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar, pediu, para irmos às ilhas gregas como tínhamos combinado naquela noite. Se podia voltar, insistiu, para sermos felizes juntos. Eu disse que sim, claro que sim, muitas vezes que sim, e aquela voz repetiu e repetia que me queria desta vez ainda mais, de um jeito melhor e para sempre agora. Os passaportes estavam prontos, nos encontraríamos no aeroporto: São Paulo/Roma/Atenas, depois Poros, Tinos, Delos, Patmos, Cíclades. Leve seu livro, disse. Não esqueça suas partituras, falei. Olhei em volta, a empregada tinha colocado para tocar A sagração da primavera, minha mala estava feita. Peguei os originais, a gabardine, o chapéu e a mala. Então desci para a limusine que me esperava e embarquei rumo a.
PS — Andaram falando que minhas crônicas estavam tristes demais. Aí escrevi esta, pra variar um pouco. Pois como já dizia Cecília/Mia Farrow em A cor púrpura do Cairo: “Encontrei o amor. Ele não é real, mas que se há de fazer? Agente não pode ter tudo na vida...” Fred e Ginger dançam vertiginosamente. Começo a sorrir, quase imperceptível. Axé. E The End.

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 30 de agosto de 2011

"Triste é não chorar..."

 
Triste é não chorar
Sim eu também chorei
E não, não há nenhum remédio
Pra curar essa dor
Que ainda não passou
Mas vai passar!
A dor que nos machucou
E não, não há nenhum relógio
pra fazer voltar... O tempo voa!

Eu sou uma chorona nata, fato. Choro vendo filminhos românticos, novela, uma conversa mais densa, quando me decepciono, quanto estou muuuuito feliz, choro assistindo "Grey's Anatomy", choro quando brigo com minha mãe, choro de arrependimento, choro de saudade, choro quando ouço aquelas músicas nostálgicas.
Mas essa carência e essas vontades de chorar de repente são familia, minha mãe e minha irmã são do mesmo jeito. rs

Mas como canta a música, "triste é não chorar", já que, como escreveu Caio Fernando Abreu, "ando bem, mas um pouco aos trancos. Como costumo dizer, um dia de salto 7, outro de sandália havaiana".

E a vida é assim, tudo muda a cada segundo e a todo instante. Até a Cássia Eller disse:

"Não é porque eu sujei a roupa bem agora que eu já estava saindo
Nem mesmo porque eu peguei o maior trânsito e acabei perdendo o cinema
Não é porque eu não acho o papel onde anotei o telefone que eu to precisando
Nem mesmo o dedo que eu cortei abrindo a lata e ainda continua sangrando
Não é porque eu fui mal na prova de geometria e periga d'eu repetir de ano
Nem mesmo o meu carro que parou de madrugada só por falta de gasolina
Não é porque tá muito frio,
Não é porque tá muito calor"

Mas chorar nem sempre traduz tristeza..

Hoje choro por acreditar e não acreditar. Por ter medo de acreditar no amor novamente. Por me sentir sozinha. Pela felicidade de ter pessoas maravilhosas ao meu lado. Nem sempre é tristeza. É felicidade. É esperança. Choro pela espera. Pela ansiedade de ter, de ver. Pelas minhas escolhas e as consequências destas. Pelo tempo que não volta. Pela esperança de um futuro promissor. Choro de nostalgia. Choro de alegria. Mas choro pelas coisas simples e belas. Um poema. Um abraço. Uma palavra. Um afago. Uma música. Um filme. Quando chove. Quando faz sol.

Acho que continuaria com esta lista infinitamente, mas confesso que seria meio enfadonho.. Não esqueçam: felicidade não é um estado de espírito constante, não um ser ou não ser, ela é composta por momentos que realmente nos permitimos!


Ainda quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida, não perdi o espírito Amélie Poulain dentro de mim, continuo gostando de ler, de ouvir boa música, de ir a cafés e comer os doces mais maravilhosos que fazem, de ir a shows, tomar vinhos com os amigos no parque/praça, conversar horas com as amigas.

Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce!

Afinal, "Felicidade se acha é em horinhas de descuido", como disse Guimarães Rosa.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sonhos de um coração apaixonado...


"Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos."

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor.
(Caio Fernando Abreu)

As pessoas, às vezes, procuram exatamente o que será capaz de doer ainda mais fundo. 

Caio Fernando Abreu

 

Tire suas mãos de mim!
Eu não pertenço a você.
Não é me dominando assim
Que você vai me entender.
Eu posso estar sozinho,
Mas eu sei muito bem aonde estou.
Você pode até duvidar.
Acho que isso não é amor.
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?

Será que vamos conseguir vencer?
Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação.
Serão noites inteiras,
Talvez por medo da escuridão.
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução.
Prá que esse nosso egoísmo,
Não destrua nosso coração.
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Brigar prá quê se é sem querer?
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você?
Renato Russo- Será


 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Conto: Viver é fácil com os olhos fechados

Sentada sobre um caixote de madeira, Hanna retira - com ambas mãos tremulas - um papel amassado de dentro da bolsa.
Messes antes, ela resolvera visitar o antigo escritório dele, ou o que sobrara do mesmo.
A poeira acumulada e as teias de aranha no teto denunciavam o abandono do lugar, sem nenhuma ventilação por causa das janelas presas por barras de madeira, o ar colérico e nostálgico invadiu seus pulmões. Em cada pedacinho daquele lugar havia um pedacinho do que um dia fora eles. E hoje, ironicamente ou não, o escritório, que por incontáveis vezes servira de palco para o teatro mágico do romance, também estava completamente largado e esquecido.
Antes que a as memórias a sufocasse por inteira, Hanna se abaixou e pegou um dos muitos papeis que estavam espalhados pelos cantos. E foi embora.
Messes depois ela teve coragem de lê-lo:

"Dor. Todos esses messes tem pessado quilos nas minhas costas. Todas essas dores, essas lágrimas. Saudade anda me corroendo por dentro, queimando em minhas mãos.
O medo me cala como se eu fosse um prisioneiro. Há anos tenho procurado achar num mar de palavras uma razão para justificar a minha incompetência no quesito coragem. Nada. Eu ainda me lembro de quando nos entendíamos como se fossemos mão esquerda e mão direita.
Ainda que por esses labirintos de palavras não ditas, agora só nos resta crescer, meio tortos e com cicatrizes. Mas crescer.
Ela. A única que me atira ao vento e faz com que tudo que eu mais queira é não parar de cair cada vez mais, cada vez mais fundo, nela, pra ela.
Silencio. Que tem se tornado o meu mais traidor companheiro. Que na primeira oportunidade amarra-me com força, até que eu fique inteiramente nauseado, transtornado, nadando perdido nessa piscina profunda que não se acaba mais. É silencio que não se acaba mais. Afogado no medo.
Então, num simples ato como de quem abre um presente na manhã de natal, eu desfiz o laço.
E separei nossas estradas.
Mas a verdade é que eu continuo parado no meio do caminho, sem forças pra seguir em frente, sem coragem para consertar o que ficou pra trás.
E o Impulso às vezes chega, esmurra a porta com uma revolta surpreendente, e até pula todos os muros que eu construi em torno dela.
Mas no final das contas, vale a pena tocá-la apenas por mim?
Mísero qualquer um, sem doçura nem delicadeza nenhuma, eu, bruto, esquisito, sem nenhum atrativo especial? Eu? Mísero qualquer um que já se acostumou a sofrer?
Linda como uma estrela.
Distante como uma estrela.

Intocável como uma."

Ainda arrependida por um dia ter tirado aquele papel do chão do escritório, Hanna – mesmo com lágrimas queimando pelos olhos - segue seu caminho para fora do convés. A carta - esquecida sobe o caixote e deixada para as traças - ainda pode presenciar a melodia que a mulher saiu sussurrado:

Living is easy with eyes closed
(Viver é fácil com os olhos fechados)
Misunderstanding all you see
(Sem entender o tudo que você vê)
It's getting hard to be someone
(Está ficando difícil ser alguém)
But it all works out
(Mas tudo parece funcionar bem)
It doesn't matter much to me
(E isso não é muito importante pra mim)

Strawberry Fielsds Forever - The Beatles.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias."

Caio Fernando Abreu

Sobre palavras...

"Quando se deseja realmente dizer alguma coisa, as palavras são inúteis. Remexo o cérebro e elas vêm, não raras, mas toneladas. Deixam sempre um gosto de poeira na boca - a poeira do que se tentava expressar, e elas dissolveram. Quanto mais palavras ocorrem para vestir uma idéia, mais essa idéia resiste a ser identificada. As sucessivas roupas sufocam a sua nudez. E todas as palavras são uma grande bolha de sabão, às vezes brilhante, mas circundando o vazio." 
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dia do amigo

Bom.. dia do amigo.. nunca gosto destas datas "dia do amigo", "dia das crianças", "dia do rock", dia das mães", "dia dos pais", "dia da felicidade", "dia da igualdade" e por aí vai... Porque durante doze meses, 365 dias, apenas em 1 mísero dia ... você quer demonstrar algo? Vai dizer à tua mãe que a ama apenas porque é dia das mães? Vai respeitar o próximo porque é dia da igualdade? Vai dar um presente à tua filha porque é dia das crianças? Vai ouvir boa música porque é dia do rock? O nome disso é hipocrisia. Pessoas nas redes sociais que mal falam contigo durante todo ano de repente no dia 20 de julho resolve te mandar depoimentos, recados, mensagens ou até te ligar pra dizer que "te adora" e que você é um bom amigo e blablabla.. enfim. Acho que devemos mostrar, sentir, demonstrar TODOS OS DIAS independentemente de datas.
Mas para não ser tão chata assim...... (risos)
FELIZ DIA DO AMIGO!



Minha definição de amigo. Posso ser chichê, talvez. Estão avisados. Então..Amigo. Pode não parecer uma palavra forte ou significativa, mas pra mim tem um peso enorme. Se eu disser que você é meu amigo, pode saber que é verdadeiro. Não consigo chamar alguém que conheci ontem de amigo. Amigo está contigo aconteça o que acontecer. Amigo briga. Amigo "paga sapo" pra você quando faz algo de errado. Amigo opina. Amigo defende. Amigo acompanha. Amigo ensina e aprende contigo. Amigo se diverte ao teu lado. Amigo diz sempre a verdade pra você. Claro que se preocupa se a verdade te machucará ou não. Mas diz a verdade. Amigo quer te ver feliz. Amigo é cúmplice. Amigo é companheiro. Amigo não precisa ficar dizendo que te ama todo o tempo. Não precisa. Pois se ele realmente ama, você saberá, com certeza. Amigo gosta de estar ao teu lado mesmo que for pra fazer coisas simples. Amigo vê filmes com você, chora com você, ri com você. Amigo não precisa ficar falando palavras bonitas e blablabla. Um abraço amigo vale muito mais. E você que é amigo e que tem um amigo sabe disso. Tenho muitos colegas. Todo mundo tem. Colegas de trabalho. Colegas de faculdade. Colegas de rua. Colegas e mais colegas. Você compartilha coisas com colegas também. Mas o necessário. Diferentemente do amigo. Você compartilha detalhes da tua vida. compartilha tuas alegrias e tristezas. Emfim.. Tenho poucos amigos, mas eles são os melhores, com certeza!
Feliz dia do amigo pra você que sabe ser um!

Nina


"Tenho amigos tão bonitos.
Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica"

 

CFA
 (um pouquinho dos meus amigos)
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!


[ Machado de Assis ]

terça-feira, 12 de julho de 2011

Aqueles olhos de ressaca...



“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

Caio Fernando Abreu